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Anthropic detalha usos criminosos barrados no Claude, de vírus a espionagem ligada à Rússia

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Anthropic detalha usos criminosos barrados no Claude, de vírus a espionagem ligada à Rússia

A Anthropic, dona do Claude, publicou um relatório reunindo as tentativas de uso malicioso da plataforma que identificou nos oito primeiros meses de 2026. O documento descreve casos bloqueados em algum momento pelo sistema e, segundo a empresa, serviu para revisar as próprias diretrizes de segurança — com parte da inteligência compartilhada com autoridades e parceiros do setor.

A lista de casos dá a dimensão do que chega até um chatbot de uso geral. Há cientistas de uma “região sem suporte oficial” — categoria que abrange países como China, Rússia e Coreia do Norte — sondando a viabilidade de experimentos de adaptação de vírus; uma rede de aplicativos de relacionamento falsos, com pessoas inteiramente geradas por IA, montada para aplicar golpes em usuários; tentativas de desenvolver software para armamentos variados, de armas de fogo a mísseis, drones e bombas; e a idealização de sistemas de vigilância voltados a identificar e monitorar pessoas específicas.

Ilustração de um escudo bloqueando fragmentos de código malicioso

O caso mais concreto em termos geopolíticos é uma campanha de espionagem cibernética ligada à Rússia contra alvos ucranianos, que misturava iscas de phishing, redes Wi-Fi de hotel sequestradas e contas roubadas no WhatsApp. É o tipo de operação em que a IA não inventa nada de novo — ela apenas acelera a redação das iscas, a triagem de alvos e o preparo das ferramentas.

Há ainda um capítulo que fala de concorrência, não de crime: a Anthropic afirma que empresas e laboratórios de IA da China, como Moonshot e DeepSeek, usaram o Claude para ajudar a treinar os próprios modelos. A técnica é conhecida no setor como destilação — conversar em massa com o chatbot, extrair a cadeia de raciocínio das respostas e transferir esse comportamento para outro modelo. A prática é vedada pelos termos de uso das grandes empresas de IA e vem virando um dos pontos mais sensíveis da disputa entre laboratórios ocidentais e chineses, como já apareceu em acusações públicas entre as duas frentes.

Por que isso importa para quem está no Brasil? Porque relatório de abuso é a única janela pública sobre o que essas ferramentas conseguem barrar — e sobre o que só é descoberto depois. Golpe com perfil falso gerado por IA em app de relacionamento não é ameaça distante: é exatamente o modelo de fraude que já circula por aqui em plataformas de namoro e em grupos de investimento. Saber que a fábrica desses perfis pode ser automatizada em escala industrial muda a régua de desconfiança que vale a pena manter.



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