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Falha crítica em chips Unisoc permite controle remoto de Android por chamada de vídeo 4G

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Falha crítica em chips Unisoc permite controle remoto de Android por chamada de vídeo 4G

Uma falha grave foi descoberta em processadores Unisoc T612, chip presente em dezenas de smartphones Android de entrada vendidos no Brasil. Segundo pesquisadores da iniciativa SSD Secure Disclosure, a brecha permite que um invasor assuma controle total do kernel do sistema operacional simplesmente realizando uma chamada de vídeo 4G (VoLTE) para o aparelho-alvo. A vítima não precisa fazer nada além de atender à ligação — ou, em alguns cenários, nem isso.

O problema está na arquitetura do próprio chip: o modem de telefonia e o processador principal da série T612 compartilham o mesmo espaço de memória física sem barreiras de proteção adequadas entre eles. Isso cria uma brecha que pode ser explorada remotamente: um pacote de dados malicioso enviado durante uma chamada VoLTE consegue injetar código diretamente no núcleo do Android, concedendo privilégios máximos ao invasor. Com esse nível de acesso, é possível ler mensagens, ativar câmera e microfone, instalar aplicativos silenciosamente ou apagar dados do aparelho.

Três modelos foram confirmados como vulneráveis nas provas de conceito publicadas: o Motorola E13, o Realme C33 e o Xiaomi Redmi A5. A pesquisa não é inédita no sentido absoluto — em março de 2026 um relatório anterior já apontava execução remota via VoLTE no mesmo ecossistema, e em novembro de 2025 a Kaspersky tinha identificado comportamento idêntico no chip Unisoc UIS7862A, modelo anterior ao T612. A consistência dos achados ao longo de meses indica um problema estrutural, não um bug isolado.

O que torna a situação particularmente preocupante é a ausência de solução à vista. O Android Security Bulletin de agosto de 2026, publicado no início do mês, não inclui nenhuma correção para essa classe de vulnerabilidade. A Unisoc foi notificada pelos pesquisadores, mas não há cronograma público de patch. Usuários com aparelhos equipados com o T612 não têm como aplicar uma atualização de segurança — a única mitigação possível hoje é desativar as chamadas VoLTE nas configurações de rede (o que, em contrapartida, reduz a qualidade das chamadas e em algumas operadoras impede ligações por 4G).

O Unisoc T612 é um processador de baixo custo fabricado na China e amplamente adotado por marcas que competem na faixa de R$ 500 a R$ 900. Ele aparece em smartphones vendidos tanto em lojas físicas quanto em grandes marketplaces no Brasil. Quem possui um Motorola E13, um Xiaomi Redmi A5 ou um Realme C33 pode verificar o chip nas configurações do dispositivo em “Sobre o telefone → Informações do processador”. Enquanto a Unisoc não liberar um firmware corrigido, manter o VoLTE desativado é a recomendação mais prática.

Alternativas seguras:

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