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Anatel estende até 2029 os testes da Vivo com a Starlink para conectar celulares direto ao satélite

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Anatel estende até 2029 os testes da Vivo com a Starlink para conectar celulares direto ao satélite

A Anatel publicou nesta quarta-feira (16) a decisão que prorroga até abril de 2029 a autorização da Vivo para testar a conexão de celulares direto aos satélites da Starlink. A licença original terminaria em 22 de outubro, e a operadora pediu mais tempo para avaliar a tecnologia em condições mais próximas do uso real. O novo prazo vale para todo o território nacional, deixa de impor limite de aparelhos conectados e permite explorar o serviço comercialmente, ainda sob as regras de caráter experimental da agência.

A tecnologia em teste é a chamada Direct-to-Device (D2D), em que o celular fala com o satélite sem antena parabólica, sem roteador e sem qualquer equipamento extra: a torre, no caso, está em órbita. A Starlink, da SpaceX, já oferece esse tipo de serviço em países como Estados Unidos, Austrália e Chile, e lista o Brasil em seu site como um dos próximos mercados. Para a operação por aqui, a Anatel liberou as frequências de 2.567,5 MHz e 2.687,5 MHz.

Ilustração conceitual de um celular em estrada de terra se conectando a um satélite

Sem proteção contra interferência

A licença é secundária: se houver interferência, a operadora não pode exigir proteção de outras redes e precisa suspender os testes na hora se o sinal atrapalhar sistemas oficiais de telecomunicações. É uma condição comum em licenças experimentais e explica por que a operadora quis um prazo longo: ela precisa acumular dados de campo antes de decidir se transforma o experimento em produto.

A Vivo não é a única a olhar para o céu. A Claro também testou conexão por satélite em celulares no Maranhão, em parceria com a americana Lynk Global, mas por enquanto não sinalizou que vá adotar o modelo. No mercado de internet fixa, a Starlink já cresceu rápido no interior do país e, no primeiro semestre deste ano, se aproximava de 10% de participação. A aposta agora é conquistar também um pedaço da telefonia móvel.

O que muda para quem vive fora das cidades

Para o usuário, a promessa do D2D é ter pelo menos um fio de sinal em estradas, áreas rurais e regiões de floresta onde nenhuma operadora chega. Nos países em que o serviço já funciona, o uso começou por mensagens de texto e evoluiu para dados básicos, sempre com celulares 4G comuns. Em um país do tamanho do Brasil, com milhares de quilômetros de rodovias sem cobertura, é o tipo de recurso que pode importar mais do que qualquer velocidade de 5G.

Enquanto o serviço no celular não chega, a alternativa para quem precisa de conexão em áreas remotas continua sendo a antena, como o kit Starlink Mini, que cabe na mochila e funciona com plano de viagem.

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