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Anatel aprova conexão de satélite direto no celular e abre porta para o Starlink Direct to Cell

O sonho de ficar conectado mesmo no meio do mato, sem nenhuma antena de operadora por perto, deu um passo importante no Brasil. Em 2 de julho, o Conselho Diretor da Anatel aprovou a atualização do plano que organiza as faixas de frequência do país, incluindo a destinação de espectro para a tecnologia Direct-to-Device (D2D) — o padrão que permite a um celular comum falar diretamente com um satélite, dispensando qualquer equipamento extra.

Na prática, é o que abre caminho para serviços como o Starlink Direct to Cell, da SpaceX, chegarem por aqui. A ideia não é substituir a rede tradicional, mas cobrir os buracos: regiões rurais, estradas, áreas remotas e situações de emergência em que simplesmente não há sinal de celular. Nesses cenários, o aparelho passaria a se apoiar em satélites em órbita baixa para manter ao menos mensagens e chamadas funcionando.

Satélites Starlink, da SpaceX, são a aposta mais conhecida para conexão direta com o celular

A decisão libera o uso secundário de faixas que já são velhas conhecidas da telefonia móvel — como 700 MHz, 850 MHz, 900 MHz, 1.800 MHz, 1.900/2.100 MHz e 2.500 MHz. Por serem as mesmas frequências que os smartphones atuais já entendem, a promessa é que a conexão via satélite funcione sem exigir um aparelho especial, apenas software e acordos comerciais no lugar certo. É esse ponto que torna a novidade tão relevante para o consumidor: não se trata de mais um gadget caro, e sim de uma camada invisível sobre o celular que você já tem no bolso.

Há, claro, um porém importante. A Anatel determinou que o serviço não pode operar de forma isolada: a empresa de satélite terá que se associar a uma operadora terrestre que já detenha o direito de uso primário daquela faixa — modelo parecido com o que a Starlink adotou nos Estados Unidos ao se unir à T-Mobile. Agora, a Superintendência de Outorgas da agência tem até 90 dias para detalhar as especificações técnicas do serviço. Ou seja: a base regulatória está montada, mas ainda vai levar alguns meses até que a conexão de satélite direto no celular vire realidade comercial no Brasil.



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