
A AMD subiu o tom na disputa mais quente da indústria de tecnologia. A empresa apresentou o Instinct MI455X, um acelerador de data center fabricado no processo de 2 nanômetros da TSMC e desenhado com um único objetivo: morder a fatia que a Nvidia domina no mercado de inteligência artificial. Junto dele, a AMD também revelou a variante MI430X, voltada a computação de alto desempenho e pesquisa científica.
No papel, os números impressionam. O MI455X é construído sobre a nova arquitetura CDNA 5, reúne mais de 320 bilhões de transistores e traz 432 GB de memória HBM4 com 23,3 TB/s de largura de banda — acima dos 22 TB/s que a AMD atribui ao Rubin, da rival. A companhia fala em um salto de até 18 vezes na geração de tokens frente à geração anterior, o tipo de métrica que pesa muito na hora de treinar e rodar grandes modelos de linguagem.
A cartada, porém, não é só o chip isolado. A AMD apostou na plataforma completa Helios, um rack que combina até 72 GPUs e 18 processadores EPYC Venice de 6ª geração (arquitetura Zen 6, também em 2 nm, com até 256 núcleos). Segundo a fabricante, o conjunto entrega 50% mais memória e cerca de 30% melhor custo por token do que o NVL72 da Nvidia — exatamente o ponto que mais dói para quem opera data centers e paga a conta de energia e infraestrutura.
Para o público brasileiro, o MI455X não é um produto de prateleira: ele mira nuvens e supercomputadores. Ainda assim, a briga interessa a qualquer pessoa que use IA no dia a dia, porque mais concorrência tende a pressionar preços e acelerar o ritmo dos lançamentos. E quem quer o desempenho da AMD dentro de casa continua contando com as linhas de consumo — as placas Radeon RX e os processadores Ryzen — que compartilham parte do DNA de engenharia da marca. A AMD ainda confirmou que planeja unificar as arquiteturas CDNA (data center) e RDNA (consumo) no futuro conceito UDNA.
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O anúncio reforça um roteiro agressivo da AMD para os próximos anos, que inclui a 7ª geração EPYC (Florence) prevista para 2028 e a 8ª geração Ravenna, ainda sem detalhes. Enquanto isso, a corrida por chips de IA segue empurrando investimentos bilionários e definindo quem vai liderar a próxima década da computação.