A Amazon recebeu o aval da FCC, a agência que regula telecomunicações nos Estados Unidos, para comprar a Globalstar. O negócio, de US$ 11,5 bilhões (perto de R$ 61 bilhões na conversão direta), deixa a varejista com 100% da operadora de satélites. A transação tinha sido anunciada em abril e estava parada à espera dos reguladores.
No parecer, a FCC afirma que a compra deve beneficiar o público sem causar prejuízo relevante à concorrência. A agência listou como ganhos a cobertura de dados maior, a comunicação de emergência mais forte e o avanço dos serviços móveis por satélite, com uso em indústria e empresas. O último ponto em aberto era uma faixa de 25 MHz de espectro internacional para internet móvel via satélite.
O que a Globalstar acrescenta ao Leo
A Globalstar vai ser incorporada ao Leo, braço de internet via satélite da Amazon que até pouco tempo atrás se chamava Project Kepler. O Leo nasceu para brigar com a Starlink, da SpaceX, hoje dona da maior constelação em operação.
As duas empresas fazem coisas diferentes. O Leo segue o modelo clássico: o cliente instala uma antena e um modem para receber o sinal. A Globalstar tem infraestrutura de conexão direta com o aparelho, o chamado direct-to-device, em que o celular fala com o satélite sem equipamento extra. Com a compra, a Amazon passa a ter as duas pontas do mercado, algo que a Starlink tenta montar com o Direct to Cell.
A parte convencional continua nas mãos da constelação própria do Leo. Até agora são cerca de 400 satélites lançados, de um plano que prevê mais de 7 mil em órbita. A distância para a Starlink ainda é grande, e a Globalstar não muda essa conta no curto prazo.
E a Apple nessa história
A Globalstar é a empresa por trás dos recursos de satélite do iPhone, como o SOS de Emergência, que permite pedir socorro sem sinal de celular. A Apple investiu na operadora no ano passado e ficou com uma participação, que deve ser comprada pela própria Amazon. Ainda não há anúncio oficial sobre como fica o contrato que mantém o serviço funcionando nos iPhones daqui para frente. Esse é o ponto que mais interessa a quem tem um aparelho da Apple.
Por que isso chega ao Brasil
Aqui, a conexão de satélite direto no celular já tem regra. A Anatel aprovou o modelo direct-to-device, e a Vivo testa mensagens via Starlink em áreas sem cobertura, com autorização de testes estendida até 2029. Um segundo grupo com espectro próprio e satélites em órbita aumenta a disputa por esse tipo de parceria com operadoras locais. A Amazon, porém, não anunciou planos do Leo nem da Globalstar para o mercado brasileiro.
Com o sinal verde da FCC, a aquisição pode ser concluída. Data de fechamento, preço do Leo para consumidores e mudanças no serviço da Apple ainda não foram divulgados.
