Quem tentou usar o Muse, o agente de inteligência artificial da Meta, para fazer compras na Amazon neste fim de semana deu de cara com um aviso de acesso negado. A varejista passou a barrar as ações automáticas do assistente em seu site e aplicativo, sob o argumento de que ele não tem autorização para operar ali e que o uso fere os termos da loja.
O bloqueio foi confirmado pela Amazon ao site americano GeekWire. Segundo a empresa, a Meta não pediu permissão antes de lançar a função, e a loja não tem como saber quando um pedido está sendo feito pelo robô e quando é um consumidor de verdade clicando nos botões.
Transparência e segurança como justificativa
Na nota, a Amazon defende que aplicativos que compram em nome dos clientes em lojas de terceiros precisam se identificar e respeitar a decisão de cada serviço sobre aceitar ou não esse tipo de automação. A companhia também afirma que o agente poderia registrar credenciais de acesso durante o processo. A Meta, quando apresentou o recurso, garantiu que dados como número de cartão e senhas não ficavam visíveis para a IA. Até agora, não comentou o bloqueio.
Um padrão que se repete
Não é a primeira vez que a Amazon fecha a porta para robôs alheios. No ano passado ela já havia barrado os agentes de compras do Google e da OpenAI, e em novembro processou a Perplexity por causa do navegador Comet, que automatizava pedidos. Essa ação, porém, terminou com derrota da Amazon na Justiça em agosto deste ano.
O pano de fundo é comercial: a própria Amazon desenvolve agentes que compram e recomendam produtos dentro do seu catálogo, como o “Buy for Me”, e não tem interesse em ceder a outra empresa o controle sobre a jornada de compra, que é onde ela vende anúncios e define o que o cliente vê.
O que isso significa para o usuário
A briga antecipa um dilema que deve chegar ao Brasil conforme os assistentes com tarefas autônomas se popularizam: o consumidor quer delegar compras a uma IA, mas as lojas querem manter o cliente dentro das próprias vitrines. Enquanto não houver regras claras, a tendência é que cada varejista decida sozinho quais robôs aceita, e agentes de uso geral, como o da Meta, fiquem limitados justamente nas lojas mais populares.
