A Alphabet, controladora do Google, planeja levantar entre US$ 20 bilhões e US$ 25 bilhões por meio da emissão de títulos de dívida nos Estados Unidos, conforme informações divulgadas pela Reuters. Os papéis terão vencimentos variados, de dois a quarenta anos, e a operação ocorre num momento em que a empresa enfrenta pressão inédita sobre seu caixa: em julho de 2026, a Alphabet registrou fluxo de caixa livre negativo pela primeira vez em sua história como companhia de capital aberto.

A causa direta é o ritmo acelerado dos gastos com infraestrutura de IA. A empresa revisou para cima suas estimativas de despesas de capital duas vezes neste ano, chegando à faixa de US$ 180 bilhões a US$ 190 bilhões para 2026 — praticamente todo esse dinheiro direcionado para a construção e expansão de data centers necessários para treinar e rodar modelos de inteligência artificial em escala. Quando o investimento cresce mais rápido do que a geração de caixa operacional, a empresa precisa captar recursos no mercado.
Vale lembrar que esta não é a primeira operação de grande porte da Alphabet no ano. Em junho, a empresa levantou cerca de US$ 80 bilhões vendendo ações em uma das maiores ofertas da história corporativa americana, com investimento da Berkshire Hathaway de Warren Buffett. A diferença é que aquela foi uma captação via capital próprio; a nova emissão é dívida — ou seja, a Alphabet vai pagar juros pelos recursos e devolvê-los no prazo acordado. O movimento reflete que a demanda por capital para IA está superando o que uma única modalidade de captação consegue suprir.
O cenário não é exclusivo da Alphabet. Entre janeiro e início de julho de 2026, os quatro gigantes de tecnologia mais ativos — Alphabet, Amazon, Meta e Oracle — emitiram juntos cerca de US$ 194 bilhões em títulos, uma alta de 79% em relação ao mesmo período de 2025. A corrida pela infraestrutura de IA transformou as maiores empresas do mundo em captadores frequentes no mercado de dívida, e o ritmo deve continuar enquanto a demanda por capacidade computacional seguir crescendo.