
O Google tropeçou em um dos lançamentos mais aguardados do ano. De acordo com uma reportagem da Bloomberg, a empresa decidiu adiar a chegada do Gemini 3.5 Pro, seu principal modelo de inteligência artificial, depois de constatar que ele não atingiu as metas internas de desempenho. A repercussão foi imediata no mercado: as ações da Alphabet, holding dona do Google, caíram cerca de 4% em 16 de julho, assim que a informação circulou.
O ponto mais sensível, segundo as fontes ouvidas, está na programação. As capacidades de geração de código do Gemini 3.5 Pro teriam ficado abaixo do que o próprio Google esperava — justamente a área que virou o novo campo de batalha entre as gigantes de IA. Vale lembrar que o modelo foi anunciado com pompa em maio, durante o Google I/O, o que torna o adiamento ainda mais desconfortável para a imagem da companhia.
O timing não poderia ser pior. O atraso acontece em um momento de disputa acirrada, com a Meta empurrando o Muse Spark 1.1 e a OpenAI apresentando o GPT-5.6 Sol, ambos com foco pesado em código e em agentes autônomos. Enquanto os rivais aceleram, o Google se vê obrigado a segurar a peça que deveria ancorar sua resposta. Em nota, um porta-voz da Alphabet afirmou estar fazendo “envios rápidos” para uma ampla gama de modelos e disse que a empresa segue testando o 3.5 Pro com parceiros, mantendo diálogo com o governo americano.
Para o leitor brasileiro, o episódio importa por dois motivos. O primeiro é prático: o Gemini já está espalhado por serviços que usamos todo dia, do buscador ao Android, passando pelo Workspace, e um modelo mais capaz tende a melhorar assistentes, resumos e ferramentas de produtividade. O segundo é o recado que fica para o setor — mesmo uma empresa do porte do Google pode ser forçada a recuar quando um modelo não entrega o prometido, sinal de que a régua de qualidade em IA subiu e que anunciar não é o mesmo que entregar.