Nem todo Steam Deck passa a vida rodando jogos. A Airbus está usando o portátil da Valve para pilotar o protótipo do rover ExoMars, veículo que a empresa desenvolve no Reino Unido e que deve pousar em Marte por volta de 2030. A cena apareceu num vídeo do youtuber britânico Tom Scott, que visitou as instalações da empresa: perto dos 14 minutos, ele assume os controles e manobra o robô usando os analógicos, gatilhos e botões do aparelho.
O console roda um software feito sob medida, que não foi detalhado. O rover, batizado de Rosalind Franklin em homenagem à química britânica cujas imagens ajudaram a revelar a estrutura do DNA, é fruto de mais de duas décadas de trabalho e foi projetado para operar sozinho quando estiver no planeta vermelho. Ou seja, o Steam Deck só manda no veículo aqui na Terra, durante a fase de testes.
Por que um console portátil
A escolha faz mais sentido do que parece. O Steam Deck é, na prática, um PC de mão com Linux, que aceita outros sistemas, tem Wi-Fi, Bluetooth e tela sensível ao toque, e junta num só aparelho um conjunto de controles que os engenheiros teriam de montar do zero. Controles de PlayStation e Xbox também servem para pilotar robôs, mas dependem de um computador por trás; o portátil da Valve resolve tudo sozinho.
Não é caso isolado: forças armadas e empresas de robótica usam há anos controles de videogame para operar drones e veículos remotos, porque são baratos, resistentes e já familiares para quem opera. Para quem tem um Steam Deck OLED em casa, fica a curiosidade de saber que o mesmo aparelho está ajudando a preparar uma missão a Marte.
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