A automação industrial deu mais um passo concreto: a chinesa Agibot colocou seus robôs humanoides Genie G2 para trabalhar em uma linha de produção de tablets de verdade, ao lado de funcionários humanos, na fábrica da Longcheer. Diferente das demonstrações controladas que costumam viralizar, desta vez os robôs assumiram um turno operacional real, executando uma das etapas mais repetitivas da montagem: a inspeção de qualidade.
Posicionados em estações de teste multimídia, os Genie G2 usam visão computacional e controle de força para identificar cada tablet na esteira, retirá-lo com precisão, encaixá-lo nos equipamentos de medição e devolvê-lo à linha — separando para uma janela lateral qualquer peça com anomalia, que então é recolhida por um operador humano. Segundo a Agibot, o robô executa testes de áudio, interface multimídia e radiação com ritmo quase equivalente ao de um trabalhador experiente.
Os números ajudam a entender por que o caso chamou atenção. A empresa afirma que a operação alcança até 310 unidades testadas por hora, com ciclos de 19 a 20 segundos por tarefa e taxa de acerto acima de 99,9%. Mais impressionante ainda é o tempo de implantação: a integração dos robôs à linha teria sido concluída em 36 horas após a chegada deles à fábrica — um indicativo de que o sistema foi pensado para escalar rápido, e não para um único experimento de vitrine.
O movimento se conecta a uma aposta maior. Em janeiro de 2026, a Agibot inaugurou em Xangai o que classifica como a primeira fábrica do mundo voltada exclusivamente à produção em massa de robôs humanoides, com capacidade projetada para mais de mil unidades por mês e respaldo financeiro e tecnológico da Huawei. Enquanto rivais ocidentais como Tesla e Boston Dynamics ainda refinam protótipos, a empresa chinesa avança colocando máquinas para cumprir jornadas completas — e, agora, para ajudar a fabricar os próprios eletrônicos que chegam às mãos dos consumidores.
Para o leitor brasileiro, a notícia importa menos pela ficção científica e mais pelo recado econômico: quando robôs passam a executar com confiabilidade tarefas antes humanas em fábricas de eletrônicos, mudam o custo, a velocidade e a logística por trás de produtos que compramos todos os dias — de smartphones a tablets. É o tipo de transformação que tende a se refletir, lá na frente, em preços e prazos de aparelhos como os que saem dessas mesmas linhas de montagem.
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