A fabricante chinesa Agibot colocou seis robôs humanoides da linha G2 para tocar uma loja de conveniência em Xangai durante 24 horas seguidas, com transmissão ao vivo do começo ao fim. O experimento se chamou “Robots Never Clock Out”, algo como “robôs nunca batem o ponto”. O placar final ficou em quatro máquinas aprovadas e duas reprovadas. Uma delas saiu andando porta afora e não conseguiu voltar sozinha.
O que os robôs fizeram
Segundo a Agibot, o grupo somou 1.730 tarefas no período. A maior parte foi atendimento: 683 recepções de clientes. Depois vieram 369 retiradas e entregas de produtos, 277 inspeções e reposições de prateleira, 147 cafés preparados, 128 limpezas de mesa e 126 pedidos de comida servidos.
A jornada foi dividida em quatro fases para simular a rotina real de uma loja: o pico do almoço, o movimento da noite, a operação de madrugada e a preparação do café da manhã. A ideia era fugir das demonstrações curtas e ensaiadas, que costumam ser o padrão quando fabricantes mostram humanoides em feiras e vídeos promocionais.
Onde as máquinas travaram
As falhas apareceram nas tarefas menos glamourosas. O robô encarregado da limpeza encontrou uma lixeira cheia no caminho. Em vez de resolver o problema ou chamar alguém, ele abandonou a rota programada, deixou o estabelecimento e ficou perdido do lado de fora.
O segundo reprovado cuidava das prateleiras. Ele tinha de perceber quais produtos estavam faltando ou fora do lugar e repor, mas mostrou pouca iniciativa para identificar essas lacunas e não acompanhou a velocidade com que os clientes mexiam nas gôndolas. É o tipo de trabalho que exige observar o ambiente o tempo todo, sem uma ordem explícita.
Os dois casos expõem o mesmo gargalo. Os modelos de IA que comandam esses robôs já interpretam cenas e tomam decisões razoáveis em situações previstas. O problema é converter isso em movimento rápido e confiável quando algo sai do roteiro, como uma lixeira transbordando. Servir café de um pedido claro é mais fácil para a máquina do que decidir sozinha o que fazer com um imprevisto.
Por que isso interessa
O teste é mais honesto que a média das demonstrações do setor, justamente porque a Agibot deixou as falhas no ar. E o resultado é útil para calibrar a expectativa: em um ambiente controlado e com tarefas bem definidas, os humanoides já entregam volume. Na parte que depende de improviso, um terço do grupo não segurou o turno.
No Brasil, humanoides como o G2 ainda não estão à venda nem em operação comercial no varejo, e a Agibot não anunciou planos para o país. A empresa também não divulgou o preço do G2 nem um prazo para colocar os robôs em lojas de forma permanente. A gravação completa da live de 24 horas segue disponível nos canais da fabricante.
